Mariano Cenamo, fundador do Idesam e da Amaz

Esta é uma biografia de Mariano Cenamo e uma homenagem. Mas é sobretudo um retrato construído a partir da memória de quem conviveu com ele, de sua trajetória na bioeconomia amazônica e dos depoimentos de pessoas que viram de perto sua capacidade de transformar ideias em floresta preservada, negócios de impacto e oportunidades para as pessoas. Visionário, pragmático e profundamente humano, Mariano deixa um legado que ultrapassa as instituições que criou e permanece vivo nas pontes que construiu entre pessoas, territórios e futuros possíveis.

Começo por mim e trago os depoimentos de muitas outras pessoas. Escrever sobre o Mariano sob um ponto de vista pessoal foi estranho e difícil. Jornalistas são acostumados a escrever de forma impessoal, objetiva. Mas escrever de outra forma foi impossível.

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Empreender o Reset me abriu a possibilidade de conhecer dezenas de pessoas que colocam sua força, determinação – e o coração – a serviço de resolver alguns dos maiores desafios do Brasil. Algo que percebo como um privilégio, uma honra.

Entre tantas pessoas que passei a admirar, Mariano Cenamo se sobressaía, brilhava. 

Raros são aqueles que se entregam tão inteiramente, de corpo e alma mesmo, àquilo em que acreditam. Como disse Joanna Martins, fundadora da Manioca, um dos muitos negócios da Amazônia que ele ajudou a nascer e prosperar, “o Mariano veio ao mundo para mudar realidades, sem medo dos obstáculos”.

Uma das principais lideranças brasileiras na construção de um modelo de desenvolvimento econômico sustentável para a Amazônia, ao lado das pessoas que a habitam, ele acreditava que só com abordagens inovadoras seria possível conservar a floresta, conter as mudanças climáticas e garantir um futuro para “nossos filhos e netos”. 

Brilhante, inspirador, visionário, pioneiro, criativo, generoso e guerreiro são adjetivos a que eu e outras pessoas que o conheceram recorremos para tentar defini-lo. Mas a verdade é que as palavras parecem pequenas.

Foi com a coragem de sempre que ele enfrentou nos últimos anos um câncer incurável. Enquanto travava essa luta pessoal, seguiu trabalhando pelas pessoas da Amazônia e pela floresta de forma tão altiva e cheia de energia que muitos nem souberam do seu problema de saúde.

Na noite da última sexta, o gigante e bravo Mariano partiu prematuramente, aos 46 anos. 

Paulistano, surfista e jogador de rugby, ele se formou em engenharia florestal pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, unidade da USP em Piracicaba, em 2004 e logo mudou-se para Manaus, atraído pela ideia de trabalhar com créditos de carbono como forma de preservar a floresta e reduzir as emissões carbono.

No começo, era um ING, ou “indivíduo não governamental”, com um computador numa mochila, como contou numa entrevista à jornalista Eliane Trindade, da Folha de S.Paulo.

Essa “ONG de garagem”, como ele dizia, viria a se transformar no Idesam, uma das organizações referência em desenvolvimento sustentável na Amazônia, que nos seus 22 anos já ajudou a preservar mais de 10 milhões de hectares de floresta, fomentando o surgimento de negócios e cadeias de suprimento de produtos amazônicos.

Com o Idesam, ele ajudou a botar de pé o café agroflorestal Apuí, do qual era um entusiasmado embaixador, levando na mala pacotes de café para eventos Brasil afora. 

Enquanto a maioria dos ambientalistas sempre lutou contra a Zona Franca de Manaus, ele e o Idesam agiram para que as indústrias passassem a destinar parte das contrapartidas da Lei de Informática para projetos de bioeconomia.

Em 2021, Mariano foi ainda mais fundo na vontade de criar negócios para a preservação da floresta e fundou a Amaz, uma aceleradora em busca dos unicórnios da Amazônia, ou dos mapinguaris, como ele gostava de dizer. O Mapinguari é uma preguiça gigante, um animal mítico dentro da cultura indígena. 

Foi ele também o idealizador do Fiinsa, o festival de investimentos e negócios de impacto mais vibrante da região Norte, que este ano chega à sua quarta edição. 

Em 2022, Mariano teve seu trabalho reconhecido pelo prêmio Empreendedor Social, da Fundação Schwab e da Folha de S.Paulo, na categoria “Inovação em Meio Ambiente”. Ao receber o troféu, disse que o Brasil precisava abraçar a floresta.

Conheci o Mariano em junho de 2020, em pleno início de pandemia, quando ambos fomos convidados a participar de um painel do Fórum Impacta Mais ON, de negócios de impacto, totalmente online àquela altura. 

O Reset tinha sido lançado havia 3 meses e, depois de 17 anos no jornal Valor Econômico cobrindo e editando finanças hardcore, eu apenas começava a mergulhar naquele novo universo de cobertura. Sobre a Amazônia, era uma ignorante.

Na reunião de alinhamento para o painel, Mariano rapidamente me impressionou. Raciocínio ligeiro, pragmático em sua abordagem, com diagnóstico muito preciso sobre problemas e soluções para os negócios da Amazônia. E, mais que tudo: alguém que preferia botar a mão na massa a se perder em discursos que não levam a nada. 

Lembro que ele gostou da proposta editorial do Reset de cobrir negócios com a lente ambiental e social, assinou a newsletter e tornou-se um leitor assíduo, que frequentemente fazia comentários empolgados. E também críticas – sempre de forma respeitosa.

Daí vieram entrevistas, reportagens, muitos papos em que ele nos ajudou a compreender os meandros da Amazônia, sua gente, os entraves, as controvérsias dos projetos de créditos de carbono. Ele se tornou colunista do Reset. Nós nos tornamos parceiros do Fiinsa. Ele nos abriu portas, nos conectou com muitas pessoas-chave, de pequenos produtores rurais e lideranças indígenas a empreendedores sociais e grandes empresários da região.

Mariano era assim: transitava entre mundos, tinha escuta, era respeitado e conseguia falar a língua de todos. E, com isso, construía pontes.

Seu foco maior eram as pessoas. 

Numa das últimas trocas de mensagens que tivemos, ele estava incomodado com o edital para comprar créditos de carbono que uma grande empresa havia lançado. Escreveu: “Achei muito ruim excluírem agroflorestas do edital. Isso restringe demais o potencial de incluir pequenos e médios produtores familiares, comunidades, assentados rurais. Mais uma vez se exclui os pequenos. E a tal da renda e prosperidade na Amazônia?”

No meio do mundo de coisas que fazia, sempre encontrava tempo para demonstrar interesse genuíno pelas pessoas e encorajá-las a seguir adiante em seus projetos, pessoais ou profissionais. Frequentemente queria saber como o Reset vinha se saindo como negócio, sugeria novos caminhos.

Nos encontramos pessoalmente pela última vez há um ano e meio, numa de suas vindas de Florianópolis, onde morava, a São Paulo. Tomamos um café em que trocamos impressões sobre a sempre difícil agenda de desenvolvimento sustentável, o que fazer para empurrá-la e a COP que aconteceria em Belém. E também falamos do futuro, de tudo o que ele planejava para o filho Mathias, de 8 anos. 

Ofereci uma carona e o deixei na porta do hospital Sirio-Libanês, onde ele faria mais uma das infindáveis sessões de quimioterapia, sempre com otimismo, sem nunca pensar em desistir. Me despedi esperançosa, mas com uma pontinha de medo.

No dia seguinte, sob os efeitos da químio, se lembrou da nossa conversa e me escreveu para recomendar um consultor em planejamento estratégico. “O trabalho de vocês é muito importante para o ecossistema, todo mundo se dispõe a ajudar.”

Em 22 de maio último, quando as inscrições da 4ª edição do Fiinsa abriram, escrevi dizendo que ele estava sumido. Não nos falávamos desde dezembro. Ele contou que havia tirado o semestre para cuidar de si, desligar do trabalho e que se sentia bem com isso. Arrematou com o entusiasmo de costume: “Este ano o Fiinsa vai bombar!”

Com certeza vai, Mariano!

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Almir Narayamoga Suruí, líder indígena, presidente do território Paiter-Suruí, em Rondônia

Mariano foi um grande guerreiro da Amazônia. Para o povo Paiter Suruí, foi um parceiro comprometido; para mim, foi um irmão. Ao longo de sua caminhada, contribuiu de forma decisiva para fortalecer o potencial da bioeconomia como um caminho para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, sempre acreditando que era possível conciliar a proteção da floresta, a valorização dos povos indígenas e a geração de oportunidades para as comunidades tradicionais na Amazônia.

Seu legado permanecerá vivo em sua coragem, em sua dedicação e em sua incansável defesa de uma Amazônia sustentável. Minha profunda gratidão, irmão Mariano. Sua história jamais será esquecida. Você será sempre lembrado pelo povo Paiter Suruí e por todos aqueles que tiveram a honra de caminhar ao seu lado. Que seu exemplo continue inspirando as presentes e futuras gerações.

Joanna Martins, empreendedora social, fundadora da Manioca, marca que produz ingredientes amazônicos

Mariano, foi, depois da minha família e do Paulo, meu sócio, o primeiro a apostar no meu sonho chamado Manioca. E não só acreditou: investiu, apoiou, aconselhou, incentivou, sugeriu mudanças, sempre com muito respeito, vendeu, incentivou outros a investirem, foi pai. Porque ele fazia tudo isso, de forma tão carinhosa, acolhedora, feliz, e ao mesmo tempo muito objetiva e obstinada. Sabia perfeitamente a hora de ouvir, divagar e a de falar de forma precisa e objetiva. A notícia de sua partida tão precoce me dói pessoalmente e também profissionalmente porque o mundo e a Amazônia precisam de Marianos e é muito triste ver uma pessoa boa como ele partir tão cedo. 

Valmir Ortega, CEO da Belterra

O Mariano e eu fomos aproximados pela vida através de convergências que nunca foram coincidência, mas expressão de uma mesma convicção. Ainda muito jovem escolheu a Amazônia como casa e causa, foi pioneiro quando quase ninguém falava em carbono e bioeconomia, e provou, com o Idesam, Amaz e, mais recentemente, com a Remata, que a floresta pode gerar prosperidade, seja através da conservação, ou do rematamento – como ele gostava de chamar a restauração florestal. Mas o que mais marcava no Mariano era o jeito: a gentileza e a alegria com que conduzia tudo o que fazia, contagiando e engajando tantas pessoas ao seu lado. A Amazônia perde um dos seus maiores empreendedores; eu perco um amigo de jornada. Seguir plantando, com a leveza que ele nos ensinou, é a melhor forma de honrá-lo.

Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa

Conheci o Mariano no Amazonas, nos anos 2000. Éramos jovens de vinte e poucos anos que tinham feito a mesma escolha esquisita para a época: ir para a Amazônia não para visitar, mas para ficar. Logo entendi que aquilo nos tornaria companheiros de uma jornada longa. Adiante, a gente se aproximou mais, numa frente pouco glamorosa: a de convencer a convenção do clima a levar a floresta em pé a sério, quando isso ainda não era nada cool. Dali em diante, seguimos juntos nas trincheiras que a vida foi abrindo.

O Mariano foi um empreendedor ousado. Apostou em REDD+ num tempo em que quase todo mundo torcia contra, e teve o cuidado de não fazer nada pelos amazônidas, mas com eles: ajudou o povo Suruí a assumir o protagonismo no carbono, e estados a escreverem suas primeiras leis sobre o tema. Quando esquentou o debate sobre a pavimentação da BR319, ele ajudou a convencer o governador do Amazonas à época de que seria melhor fazer uma ferrovia no lugar – infelizmente, não prosperou.

Quando muitos viam a bioeconomia como risco, ele abriu caminhos. Da Zona Franca de Manaus, de que boa parte do ambientalismo preferia manter distância, ele e o Idesam tiraram o Programa Prioritário de Bioeconomia e mudaram a escala do possível. E enquanto tanta gente falava da Amazônia de longe, o Mariano estava lá, com os agrofloresteiros tirando do chão o Café Apuí e inventando espaços extraordinários como o FIINSA. A lista de feitos foi longa: Amaz, Remata etc.

Visionário, corajoso, obstinado, de papo reto e de um coração generoso, o Mariano ensinou uma geração inteira a entregar o que temos de melhor,  sem guardar nada para depois. Não me surpreendeu vê-lo receber o Prêmio Empreendedor Social da Folha. Ele tinha o dom de transformar o improvável na maneira mais natural de seguir em frente. Fica a saudade e fica a tarefa de darmos, como ele, inteligência, afeto e trabalho pela Amazônia.

Fersen Lambranho, presidente do conselho da GP Investimentos, investidor e conselheiro da Amaz

Nessa geração que tanto empreendeu no mundo virtual, Mariano foi aquele que partiu para a floresta Amazônica para desbravar caminhos, para que o ato de empreender fosse integrado à potência da floresta. Foi o jovem de 20 anos que se embrenhou na mata, criando, em duas décadas, instituições como o Idesam e a Amaz. Foi uma dessas pessoas essenciais que passam pelo mundo para torná-lo melhor. Uma grande perda para o Brasil.

Andrea Azevedo, vice-presidente da Emergent Brasil

Conheci Mariano em 2011, saindo de uma reunião do Ministério do Meio Ambiente em Brasília. Dei uma carona pra ele e, ele, sem me conhecer direito, mandou logo um recado de que o IPAM, onde eu trabalhava na época, deveria olhar mais o potencial de projetos de carbono para a Amazônia. Eu o achei um jovem muito impetuoso e muito articulado. Mariano era obstinado e não tinha medo das críticas. Começou um monte de iniciativas polêmicas à época e foi abrindo fronteiras. Foi assim com os projetos de carbono em terra indígena; foi assim com negócios de impacto social na floresta e com programas de agrofloresta. Essa conexão entre os negócios e a conservação estava presente em todo seu trabalho. Hoje essa é a busca de quase todos que querem a prosperidade da Amazônia. Depois desse 2011, fomos parceiros em muitas mesas e iniciativas e ele me incentivou a aceitar um trabalho num local no mínimo bem polêmico. Ele achava que a gente tinha que entrar nos lugares difíceis. Mariano era inclusivo, crítico quando tinha que ser e determinado. Deixou muitas lições que nos farão refletir ao longo da caminhada e também um legado imenso de ações e de amizades incríveis por todo o Brasil. Valeu guerreiro!

Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú

Estávamos em um passeio de barco pela Amazônia, um ano antes da COP-30 no Brasil, planejando com alguns ‘nomões’ da COP o que poderíamos fazer de contribuições a essa agenda e momento tão relevante. Paramos em Tumbira, para visitar a comunidade, e lá estava Mariano com o seu filho, Mathias. Às vezes ele alugava uma casinha para ficar na comunidade, aproveitar uns dias conectado com uma das coisas que mais amava, a natureza. Mariano pegou uma carona em nosso barco na volta até Manaus e, ouvindo todas aquelas histórias mirabolantes de COP-30, multilateralismo, espaços de negociação, ele interrompeu, com aquela mistura própria dele de gentileza com firmeza, e disse: “pessoal, tem tanta coisa para a gente fazer, tanto empreendedor para apoiar, tanto negócio para colocar de pé, tanto talento para formar, tanta coisa que dá para apoiar agora, que eu não consigo entender como a gente acaba perdendo tanto tempo em discussões que não vão a lugar algum”. Foi assim que ele idealizou Idesam, Amaz, o FIINSA, para mostrar negócios, conectar empreendedores, mostrar o que a Amazônia e o Brasil tem de bom. E foi com esse otimismo e sorriso no rosto que ele seguiu até o fim, com a mesma vontade de viver.

Anita Fiori, diretora do Fundo Soros de Desenvolvimento Econômico 

Mariano era inspiração pura. Eu acreditava tanto nele que sempre o incentivei a montar um fundo de investimento na Amazônia dado que o mais difícil ele já tinha: pipeline, capacidade de levantar fundos e confiança dos empreendedores. Um dia recebo uma ligação dele dizendo que não se sentia bem com a ideia de gerir um fundo, que o que ele gostava era de gerir recursos filantrópicos e preparar os empreendedores para investimento. Agradeci e disse a ele que raros são aqueles que se mantêm fiéis ao que acreditam nesse nosso mundo de investimento de impacto. Que ele fazia bem em manter-se num modelo que ele gostava e acreditava. Mariano era assim: caráter, compromisso, ética e honestidade. Seu legado fica.

Júlia Spinassé, foi gerente de sustentabilidade do Bradesco e da Suzano

Tive o privilégio de conhecer o Mariano na minha primeira ida à Amazônia, no início da carreira. Na época o Idesam tinha atuado em um projeto pioneiro de REDD+, na RDS do Juma, que foi o primeiro do mundo a receber a certificação Climate, Community and Biodiversity Standard (CCB). Foi transformador conhecer alguém que reunia, de forma rara, dedicação, capacidade de realização e humanidade na missão de promover a valorização da floresta e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Que ele descanse em paz e que seu legado siga vivo. 

Betânia Vilas Boas, caloura de Mariano Cenamo na Esalq/USP; é coordenadora de sustentabilidade na Arauco

O Mariano foi, sem dúvida, a minha maior referência profissional. Ainda na Esalq, inspirou uma geração de estudantes a enxergar o enorme potencial da agenda do desenvolvimento sustentável em um ambiente que, naquela época, ainda explorava pouco esse tema. Com sua visão, entusiasmo e capacidade de conectar conhecimento à prática, despertou em muitos de nós o desejo de construir uma carreira voltada à sustentabilidade.

Plinio Ribeiro, Co-fundador da Silva, Parquetur e Biofílica

Conheci o Mariano quando chegamos à Amazônia, em Manaus, por volta de 2005, ele no Idesam e eu no IPÊ. Naquela época, falar em conciliar conservação com desenvolvimento econômico por meio de negócios era algo inovador e encontrava muita resistência no terceiro setor, que ainda apostava em projetos governamentais e assistencialistas. O Mariano já defendia que fortalecer negócios sustentáveis era parte essencial da solução para conservar a floresta. Hoje essa visão parece óbvia, mas só se tornou possível porque pioneiros como o Mariano tiveram coragem de desafiar o pensamento dominante e abrir novos caminhos.

Marcelo Furtado, head de sustentabilidade da Itaúsa, ex-diretor executivo do Greenpeace Brasil

Mariano Cenamo era o cara do Idesam que fez sua marca com a linda história do café Apuí Agroflorestal. O projeto mostrou que sistemas agroflorestais podiam produzir um café de alta qualidade, recuperar áreas degradadas e aumentar a renda dos agricultores. Essa experiência tornou-se uma referência nacional e internacional. Sempre que passava por Sampa rolava um cafezinho, que evoluiu para a plataforma Amaz. Ela passou a acelerar empresas e empreendedores que transformam ativos da floresta em produtos e serviços de alto valor, contribuindo para que a bioeconomia amazônica ganhasse projeção internacional. Mariano se foi jovem mas deixou um lindo legado.

Mônica C. Ribeiro, coordenadora de comunicação da AMAZ entre 2021 e 2024

Mariano é das pessoas raras que cruzaram minha existência. Desde sempre tinha pressa, sabia da urgência das Amazônias. Partiu jovem, mas a velocidade de conexões e conhecimento aplicado à realidade que gostaria de transformar fazem com que seus legados sejam muitos, para o ecossistema de impacto, para comunidades amazônicas, para quem trabalhou diretamente com ele.

Nos conhecemos em 2018, e a conexão e parceria foram imediatas. A inteligência a serviço da região que escolheu de coração, os ouvidos sempre mobilizados para ouvir as histórias das muitas Amazônias, pelos amazônidas. E a capacidade de transformar isso em iniciativas que partiam dessas conexões, endereçando a semeadura de um ecossistema de impacto da sociobiodiversidade, junto aos muitos parceiros de primeira hora nessa direção.

Mariano parte cedo, mas, ciente da urgência das Amazônias, construiu e deixa um legado muito grande de pioneirismo e inovação na busca e implementação de caminhos para um desenvolvimento virtuoso da região. Usando uma expressão que ele mesmo empregava, cioso de que não há ‘bala de prata’ para resolver a questão.

Para mim, que trabalhei muito próxima a ele na Amaz, além de tudo isso Mariano deixa comigo inspiração, coragem e o exercício permanente de olhar o copo meio cheio e mobilizar energia para fomentar transformação. Afinal, como diz mestre Siba, toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar.