Verdinhas: Após compra da Serra Verde, USAR troca comando

A USA Rare Earth (USAR), empresa listada na Nasdaq, anunciou nesta segunda-feira (20) uma mudança na sua liderança três meses após a aquisição da Serra Verde, a única mina brasileira que produz terras raras. O atual CEO da empresa brasileira, Thrasyvoulos Moraitis, vai assumir o comando da americana após a conclusão da fusão.

A movimentação já era esperada desde que a transação por cerca de US$ 2,8 bilhões foi anunciada em abril, e foi aprovada pelo conselho de administração da USAR. Moraitis vai substituir Barbara Humpton, que deixa o cargo em 1º de outubro. Em comunicado, a USAR disse que a saída da executiva se dá por aposentadoria e não está relacionada a divergências sobre as operações ou a gestão da companhia.

Caso a fusão seja concluída antes dessa data, o executivo vai ocupar o cargo de presidente da USAR até assumir como executivo-chefe (CEO) da companhia. A expectativa da empresa é concluir a operação até o mês que vem. 

Moraitis está à frente da Serra Verde, que opera em Goiás, desde janeiro de 2023. Foi durante a sua gestão que a mina avançou para produção comercial. Antes, ele passou pela Xstrata, mineradora que foi comprada pela Glencore, e ocupou cargos no grupo EuroChem, uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo. 

Segundo o comunicado, Moraitis participou de cerca de 40 operações de fusões e aquisições ao longo da carreira.

“Durante sua gestão, a Serra Verde se transformou na única produtora em larga escala, fora da Ásia, das quatro terras raras magnéticas consideradas críticas, e em uma das pioneiras da indústria brasileira de terras raras”, diz a empresa em comunicado.

Esses minérios são estratégicos para a expansão da inteligência artificial (IA), transição energética e sistemas de defesa. A aquisição ocorre em um momento em que Estados Unidos e Europa buscam reduzir suas dependências dos minerais da China, que hoje controla esse mercado

No mês passado, a USAR assinou um pacote de financiamento de até US$ 1,6 bilhão com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para apoiar a expansão de sua cadeia de produção de terras raras e ímãs permanentes. Como parte da operação, o governo americano será sócio do negócio.