
A mineradora Vale e varejista de moda Renner, as duas primeiras empresas do país a aderir de forma voluntária à divulgação de dados financeiros de sustentabilidade nos padrões IFRS S1 e S2, afirmaram que vão continuar publicando os reportes, mesmo com o fim da obrigatoriedade pela CVM.
“A Vale seguirá reportando conforme o novo padrão ISSB, de forma voluntária, por acreditar que essas normas ajudam a divulgar práticas sustentáveis de forma transparente, facilitando decisões de investimento responsáveis e promovendo mais qualidade e confiança nas informações relacionadas ao desempenho ambiental, social e de governança corporativa”, afirmou a mineradora em nota enviada ao Reset.
Também em nota, a Renner disse que a mudança anunciada pelo regulador brasileiro “não altera sua estratégia nem suas práticas de reporte”.
“A companhia mantém seu compromisso com a transparência, a consistência das divulgações e o atendimento às expectativas dos investidores. O avanço das divulgações financeiras relacionadas à sustentabilidade amplia a qualidade da informação e apoia decisões de investimento mais qualificadas.”
Vale e Renner foram as primeiras empresas brasileiras a fazer as divulgações segundo os novos padrões. Elas aderiram de forma voluntária na primeira oportunidade oferecida pela CVM e publicaram seus relatórios em meados do ano passado, com base no exercício de 2024.
Outras seis companhias entraram na segunda onda, para divulgar seus reportes pela primeira vez este ano. São elas a também empresa de moda C&A, a fabricante de cosméticos Natura, a calçadista Grendene, a incorporadora imobiliária JHSF, a bolsa de valores B3 e a Irani Papel e Embalagens – esta última publicou seu reporte na sexta-feira (29).
De acordo com uma regra original da CVM que não foi alterada pela resolução da semana passada, as empresas que decidem fazer a divulgação de modo voluntário devem fazê-lo por no mínimo três anos consecutivos.
Custos e oportunidades
Em seu relatório inaugural, a Renner indicou que o maior efeito negativo no fluxo de caixa seria o maior custo de matérias-primas sustentáveis para produzir as roupas, o que representaria entre R$ 148 milhões e R$ 172 milhões adicionais em 10 anos. Inundações e ondas de calor podem ter efeito negativo entre R$ 88 milhões a R$ 99 milhões no mesmo período.
Mas as oportunidades identificadas pela companhia foram maiores: o uso de energia renovável e a venda de produtos mais sustentáveis têm o potencial de impacto positivo entre R$ 424 milhões e R$ 488 milhões no fluxo de caixa operacional (antes de imposto) – todos os valores foram trazidos a valor presente.
Já a Vale calculou que poderá ter custos entre R$ 7 bilhões e R$ 19 bilhões decorrentes de mecanismos de precificação de carbono (em valor presente). “Esses custos podem impactar a demonstração do resultado e os fluxos de caixa da companhia substancialmente a partir de 2030, portanto, no horizonte de longo prazo”, diz o relatório.
* Atualizada às 8h25 de 2 de junho para incluir a informação de que a Irani Papel e Embalagens publicou seu relatório inaugural na semana passada





