Com aporte do BNDES, Mombak quer captar até R$ 2 bi para reflorestamento

A Mombak pretende captar até R$ 2 bilhões para reflorestamento na Amazônia. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) vai entrar como investidor âncora, podendo colocar até R$ 500 milhões. 

Um fundo da startup de reflorestamento foi uma das sete selecionadas na chamada pública de mitigação climática do banco, que vai destinar o total de R$ 4,3 bilhões em aportes do BNDESPar, braço do banco para investimento em participações. 

Pelas regras do edital, o banco pode participar com até 25% do fundo. Os selecionados devem ter um capital comprometido alvo de, no mínimo, R$ 250 milhões. 

O aporte para a Mombak será feito via participação no fundo (equity), modelo em que o banco divide riscos e retornos com os demais cotistas. Operações anteriores foram estruturadas como dívida.

O dinheiro será usado para expandir seus projetos de reflorestamento com uso de espécies nativas no Pará, onde concentra suas operações. O modelo de negócio da empresa é vender créditos de carbono gerados nas áreas restauradas.

A startup já tem contratos de venda de créditos com grandes clientes, como Microsoft e Google. Fundada em 2021, a empresa captou US$ 200 milhões (mais de R$ 1,15 bilhão, na cotação atual) para projetos de remoção de carbono na Amazônia. 

“Como investidor âncora, o BNDES tem um papel catalítico. Essa estrutura permite acessar investidores mais sofisticados para executar projetos intensivos em capital”, diz Bruno Figueiredo, vice-presidente financeiro da empresa. 

O primeiro fundo da Mombak, de US$ 120 milhões, era formado apenas por investidores estrangeiros, como AXA, Bain Capital e Rockefeller Foundation. A empresa espera que o novo veículo, o The Amazon Reforestation Fund II, conte também com capital privado brasileiro.

“A gente enxerga um movimento relevante de atração de capital local para essa classe de ativo”, afirma Figueiredo. Ele diz que há conversas avançadas com investidores. 

A estrutura segue o modelo de fundos de investimento em participações (FIPs), em que os recursos são alocados em um portfólio de projetos.

“Isso é importante porque permite diluir riscos, por exemplo, riscos climáticos ou operacionais, ao distribuir os investimentos entre diferentes áreas e projetos. O investidor não fica exposto a um único ativo.”

Os recursos são usados principalmente nos primeiros cinco anos do projeto, em compra de terras, mudas (foto), preparo do solo, plantio e monitoramento das áreas. 

O retorno financeiro virá da venda dos créditos de carbono. Segundo Figueiredo, o processo de certificação para emissão dos primeiros créditos deve começar entre o segundo e terceiro ano do projeto.

A companhia não detalhou a taxa de retorno nem o prazo do fundo, ainda em fase de captação.

Se atingir o valor máximo de captação, a expectativa é plantar cerca de 52 milhões de árvores, com potencial de remoção de 19 milhões de toneladas de carbono da atmosfera. 

Os negócios de reflorestamento são responsáveis pela geração de créditos de remoção de carbono, vistos com maior credibilidade pelo mercado que os de conservação florestal, os REDD+, mais populares no Brasil. 

Mas o modelo exige alto investimento inicial. Restaurar áreas degradadas pode custar entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por hectare, o que tem levado desenvolvedores a buscar novas estruturas de financiamento.

Na iniciativa da Petrobras com o BNDES para incentivar a restauração, por exemplo, o plano é comprar 5 milhões de créditos de carbono em contratos de 25 anos e preços pré-estabelecidos como garantia da operação.