Os desafios do setor energético brasileiro: entre oportunidades e incertezas
Os desafios do setor energético brasileiro: entre oportunidades e incertezas

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Os desafios do setor energético brasileiro: entre oportunidades e incertezas

O setor energético brasileiro enfrenta desafios que incluem a diversificação das matrizes energéticas, a garantia da sustentabilidade e o equilíbrio entre oferta e demanda.

Os desafios do setor energético brasileiro: entre oportunidades e incertezas

A importância da diversificação das matrizes energéticas no Brasil

O Brasil se destaca globalmente por sua diversificada matriz energética, composta por fontes renováveis, como hidrelétrica, solar, eólica e biomassa, além de combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cerca de 84% da energia elétrica gerada no país em 2023 veio de fontes renováveis, um índice que coloca o Brasil à frente de muitas nações desenvolvidas nesse quesito.

Porém, a dependência histórica de usinas hidrelétricas, que respondem por cerca de 60% da energia gerada, também traz vulnerabilidades. Em anos de estiagem, como ocorreu em 2021, a redução no nível dos reservatórios pode comprometer a segurança energética, exigindo o acionamento de termelétricas, que são mais poluentes e caras. Nesse cenário, a expansão de fontes como a solar e a eólica surge como estratégia essencial.

Fontes renováveis: oportunidades e desafios

A energia solar e a eólica vêm ganhando espaço no Brasil, impulsionadas por avanços tecnológicos e redução de custos. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a capacidade instalada de energia solar ultrapassou 25 GW em 2024, consolidando o Brasil como um dos principais mercados do mundo.

Entretanto, esses avanços ainda encontram barreiras. A energia solar, por exemplo, enfrenta desafios como o alto custo inicial de instalação e a necessidade de regulamentações claras sobre a distribuição de créditos energéticos para consumidores residenciais. Já a energia eólica depende de localizações com ventos consistentes, concentrando-se em estados do Nordeste, como Bahia e Rio Grande do Norte.

Segundo Ana Paula Lima, especialista em transição energética, “A expansão das fontes renováveis no Brasil é fundamental, mas demanda planejamento integrado e incentivos que atraiam investimentos privados”.

O papel dos combustíveis fósseis na transição energética

Apesar do foco crescente nas fontes renováveis, os combustíveis fósseis continuam desempenhando um papel significativo na matriz energética brasileira. O petróleo é responsável por cerca de 30% da energia gerada no país, impulsionado pelas descobertas no pré-sal, que colocaram o Brasil como um dos maiores exportadores globais.

Porém, a utilização de combustíveis fósseis entra em conflito com as metas ambientais assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris. Para Rafael Campos, analista de políticas energéticas

“A transição para uma matriz mais limpa não significa abandonar imediatamente os combustíveis fósseis, mas sim utilizá-los como apoio até que as tecnologias renováveis estejam plenamente estabelecidas”.

Infraestrutura e regulação: gargalos do setor

A infraestrutura limitada é um dos principais entraves ao desenvolvimento energético no Brasil. A falta de linhas de transmissão em regiões remotas impede o aproveitamento total do potencial solar e eólico, especialmente no Nordeste e no Norte do país. Além disso, a morosidade no processo de licenciamento ambiental dificulta a implantação de novos projetos.

Na esfera regulatória, há necessidade de maior clareza e previsibilidade. Mudanças frequentes nas regras sobre incentivos fiscais e tarifas de energia desestimulam investidores.

“Para atrair capital estrangeiro e fomentar o setor, o Brasil precisa adotar uma política energética de longo prazo, que combine sustentabilidade e segurança jurídica. Porém, a dependência histórica de usinas hidrelétricas, que respondem por cerca de 60% da energia gerada, também traz vulnerabilidades. Em anos de estiagem, como ocorreu em 2021, a redução no nível dos reservatórios pode comprometer a segurança energética, exigindo o acionamento de termelétricas, que são mais poluentes e caras.”

Felipe Mendes.

Com uma população em crescimento e um setor industrial em expansão, o Brasil precisará quase dobrar sua capacidade de geração de energia até 2050 para atender à demanda. Esse cenário exige investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento, além de um comprometimento político firme com a transição energética.

A integração entre fontes renováveis e combustíveis fósseis, aliada a soluções inovadoras como armazenamento de energia e hidrogênio verde, promete redesenhar o panorama energético do país. Para isso, o Brasil deve continuar explorando seu imenso potencial natural e apostando em iniciativas que conciliem desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.