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Dan Ioschpe será o ‘campeão do clima’ da COP30

Nome do empresário do setor industrial foi anunciado nesta quarta pelo presidente Lula; cargo tem a missão de aproximar a COP do ‘mundo real’

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Dan Ioschpe será o ‘campeão do clima’ da COP30

Depois de meses de espera, o governo brasileiro anunciou o empresário Dan Ioschpe como o Campeão Climático de Alto Nível da COP30, conforme antecipado pelo Reset.

Ioschpe é presidente do conselho de administração da Ioschpe-Maxion, uma fabricante de rodas e autopeças, e integra o conselho de outras grandes empresas nacionais, como WEG, Embraer e Marcopolo.

O champion tem entre suas atribuições criar pontes entre as decisões tomadas nas conferências do clima – em que têm voz e voto somente governos nacionais – e o resto do mundo: empresas, ONGs, universidades, governos regionais e assim por diante.

“A COP30 será um espaço de confluência entre governos e sociedade, e essa missão precisa do engajamento de todos os setores”, afirmou Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, no comunicado de anúncio da nomeação de Ioschpe.

A indicação do representante brasileiro, que tem um mandato de dois anos e atua até a COP31, era aguardada havia meses. Nos dez anos desde a criação da função, nunca houve uma demora tão grande na escolha de um champion.

Embora menos conhecidos e sem uma função oficial nas negociações das COPs, os campeões do clima – no sentido de defensor ou paladino –, devem ser figuras cada vez mais importantes no sistema de cooperação global da ONU.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, vem afirmando que um dos objetivos primordiais da conferência de Belém é envolver esses outros atores que não são formalmente parte da conferência.

Para completar o time da COP falta ainda a escolha do Campeão Climático da Juventude, que tem a tarefa de garantir que as perspectivas da juventude sejam incorporadas nas discussões e decisões globais sobre o clima. A Secretaria-Geral da Presidência da República divulgou lista com 24 candidatos habilitados, que estão em avaliação pela presidência da COP30.

O que faz o champion?

O escritório dos champions lidera duas campanhas da ONU em linha com os objetivos do Acordo de Paris. Uma delas, a Race to Zero, reúne mais cerca de 12,5 mil organizações, de companhias privadas a governos subnacionais, que se comprometem a adotar metas net zero compatíveis com a melhor ciência disponível.

Outra iniciativa é a Race to Resilience, que busca acelerar as medidas para adaptar as regiões mais vulneráveis a um clima que já mudou.

A adesão a ambos os programas é voluntária, e eles não fazem parte do que se discute nas COPs. A ideia das duas é traduzir os assuntos discutidos nas conferências em ações práticas.

A sensação de distância entre o que discutem os diplomatas e a vida real é um dos problemas do sistema em vigor, como o próprio Corrêa do Lago vem afirmando em suas declarações públicas.

A saída dos Estados Unidos de Paris e a instabilidade geopolítica gerada pelo desdém de Donald Trump por seus parceiros europeus torna o envolvimento dos outros atores ainda mais importantes.

A função do campeão foi criada no Acordo de Paris para envolver e alinhar todo o mundo “não-COP” com as decisões tomadas nas conferências.

Os primeiros champions costumavam ser pessoas ligadas a governos, mas mais recentemente a preferência tem sido dada a nomes com trânsito em outras esferas, como o mundo das ONGs ou das empresas privadas.

No ano passado, Ioschpe presidiu o B20, um fórum do setor privado que acompanha os trabalhos do G20. Foi a primeira vez que um brasileiro esteve à frente do grupo.

O britânico Nigel Topping, campeão da COP26, foi diretor-executivo da We Mean Business Coalition, uma organização global que reúne empresas comprometidas com uma economia pós-carbono.

Razan Al Mubarak, presidente da União Internacional pela Conservação da Natureza, foi designada pelos Emirados Árabes Unidos para ser a campeã da COP28.

Como seus antecessores, Ioschpe deve ter uma agenda repleta até o início da conferência, em 10 de novembro, e além, pois o mandato dos campeões é de dois anos.

Ele vai atuar em conjunto com a azerbaijana Nigar Arpadarai, a campeã indicada pelos anfitriões da COP29, realizada em Baku, em novembro passado.

*Reportagem atualizada às 18h40 para incluir a confirmação do nome de Dan Ioschpe pela presidência da COP30 e a fala de Marina Silva.