Terrabras à vista?; Petrobras quer etanol nos aviões; Microsoft chacoalha mercado de carbono

Projetos de lei querem criar uma estatal de terras raras, mas o setor diz que uma “Terrabras” não resolve os problemas mais importantes, como tecnologia e logística. A “bras” mais famosa, do petróleo, quer transformar etanol em SAF, o combustível verde da aviação. Os rumores de que a Microsoft estaria dando um tempo na compra de créditos de carbono e mais nesta edição de Verdinhas.

Vem aí a Terrabras?

Dois projetos de lei querem colocar o Estado no meio da exploração de terras raras no Brasil. Um deles prevê um regime semelhante ao do pré-sal: privados dividem produção e tecnologia com o governo. Outro cria uma estatal nos moldes da Petrobras, a “Terrabras”, com atuação direta e possibilidade de abertura de capital.

As propostas foram criticadas no setor. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) aponta risco de afastar investimentos e diz que a necessidade das empresas é tecnologia de processamento desses minerais, financiamento, logística e segurança jurídica. “Nenhum desses obstáculos é eliminado pela criação de uma empresa pública”, diz em nota.

Da cana ao tanque (dos aviões)

A Petrobras selecionou a empresa americana de tecnologia Honeywell para desenvolver um projeto de produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) em sua refinaria em Paulínia (SP).

Será a primeira planta de SAF que usa a rota tecnológica conhecida como álcool para jato (ATJ, na sigla em inglês) de grande escala na América Latina.

Esse método transforma álcoois, como etanol (de cana-de-açúcar ou milho, por exemplo), em combustível que pode ser misturado ao querosene fóssil. A rota é considerada promissora no Brasil pela alta disponibilidade de etanol.

Microsoft move o mercado

Segundo o portal americano Heatmap, a Microsoft suspendeu temporariamente as compras de créditos de remoção de CO2. A notícia chacoalhou o mercado, já que a empresa adquiriu 96% da oferta global em 2025, segundo a BloombergNEF. Os créditos de remoção incluem os gerados por reflorestamento.

A Microsoft negou a informação. Afirmou apenas que realiza revisões estratégicas constantes para adequar seu ritmo de compras. Desenvolvedores brasileiros ouvidos pelo Reset afirmaram que não receberam nenhum tipo de comunicação da Microsoft sobre o tema.

Satélites no STF

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entrou com uma ação no STF pedindo a suspensão da obrigação de que instituições financeiras usem dados do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) como parte da análise para concessão de crédito em propriedades rurais.

Em nota enviada ao Reset, a CNA afirmou que usar os dados do Prodes como parte da análise de crédito fere a presunção de inocência e o direito à ampla defesa. Imagens de satélite não diferenciam automaticamente quando o desmatamento é legal, segundo a entidade.

Um salva-vidas para o aço verde

A startup de aço verde Stegra garantiu um financiamento emergencial de US$ 1,65 bilhão (aproximadamente R$ 8,2 bilhões) para concluir a construção de sua nova usina siderúrgica. A promessa é entregar um aço que reduza as emissões de CO2 em 95% em comparação com o processo tradicional.

A empresa sueca estava buscando capital havia meses e corria o risco de ir à falência. O aporte foi liderado pela família Wallenberg, uma das mais ricas e influentes da Suécia, e acompanhado pelo fundo estatal de Singapura Temasek e por um veículo de investimentos da fabricante de móveis Ikea, também sueca.

A Stegra, antiga H2GS, quer inaugura a primeira usina do mundo a produzir aço em grande escala usando um processo baseado em hidrogênio verde.

Influente, não influencer

A pesquisadora brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa, foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time, na categoria “Pioneiros”. É um reconhecimento de décadas de pesquisa em microbiologia do solo, com foco no uso de bactérias para substituir fertilizantes químicos na agricultura.

Hoje, cerca de 85% da soja brasileira utiliza esses microrganismos, com ganhos econômicos e ambientais relevantes, como a redução de custos com insumos e de emissões associadas ao uso de fertilizantes sintéticos.