Verdinhas: Petrobras quer mais poços na Foz do Amazonas; Vale encomenda navios movidos a etanol

A Petrobras avança na exploração de novas fronteiras de petróleo, com a retomada de busca de ativos na África e pedido para explorar outros poços na Foz do Amazonas. 

Já a Europa, mais uma vez, afrouxa regra ambiental para evitar impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã. 

Drill, baby, drill

A Petrobras pediu aval ao Ibama para perfurar mais três poços na Bacia da Foz do Amazonas, que faz parte da Margem Equatorial. A companhia trabalha em um poço de exploração desde outubro do ano passado e afirma que os outros três já estavam contemplados desde o início do licenciamento ambiental. 

Em nota técnica, o Ibama respondeu que a Petrobras não apresentou cronograma ou custos de implementação dos poços adicionais, já que a execução depende dos resultados da exploração principal. 

Lá fora, a Petrobras retomou sua expansão na África, com foco na exploração de águas profundas em Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul. A companhia anunciou a aquisição de 42,5% de participação em um bloco exploratório na Namíbia, em parceria com a TotalEnergies, que vai ficar com fatia semelhante. 

Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a aquisição está alinhada à estratégia de longo prazo da Petrobras de recompor reservas e diversificar o portfólio.

Etanol em alto mar

A Vale firmou um acordo de 25 anos com o estaleiro chinêsa Shandong Shipping Corporation para a construção dos dois primeiros navios de carga do mundo movidos a etanol. A informação foi publicada pela Reuters.

As embarcações terão capacidade para cerca de 325 mil toneladas de minério de ferro. Segundo a empresa, o uso do biocombustível pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com o combustível convencional, chamado bunker. A entrega do primeiro está prevista para 2029. O acordo contém opção para mais embarcações. 

Tensão no topo da BP 

O presidente do conselho da BP, Albert Manifold, está enfrentando uma forte oposição à sua reeleição. O conselho administrativo da petroleira britânica bloqueou uma resolução proposta pelo grupo ativista Follow This que pedia explicações sobre o que a companhia pretende fazer caso a demanda por combustíveis fósseis entre em declínio.  

A exclusão gerou um efeito imediato. A consultoria Glass Lewis, que faz recomendação de votos para acionistas, e a gestora Legal & General Investment Management (que está entre os 10 maiores investidores da BP) disseram que vão votar contra a reeleição de Manifold no fim deste mês. Isso ocorre em meio a pressões de investidores após a empresa rever seus planos de descarbonização e dobrar a aposta nos combustíveis fósseis

Seguro contra desastre climático

A fintech brasileira Stone e a seguradora suíça Zurich se juntaram para desenvolver um mecanismo que combina crédito e seguro para pequenas e médias empresas em regiões do Brasil sujeitas aos impactos da mudança do clima. O seguro é incorporado ao empréstimo para proteger o negócio e o credor. A ideia é diminuir a inadimplência em casos de desastres climáticos. 

Neste modelo, parte dos rendimentos do empréstimo ajuda a sustentar o fundo de seguro ao longo do tempo, enquanto programas de educação financeira apoiam os empresários na gestão de risco. A estrutura prevê um fundo de seguros entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões, que pode destravar até US$ 200 milhões em empréstimos. 

A iniciativa foi selecionada pelo programa global de finanças sustentáveis da aceleradora The Lab e agora está em fase de incubação, com apoio técnico do programa e contato com investidores para testar o modelo. 

Do espaço ao subsolo

A Sabesp espera evitar a perda de 6,7 bilhões de litros de água em um ano com uma tecnologia que foi desenvolvida por cientistas para buscar água em Marte.  O volume equivale ao abastecimento do município de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo, que tem 95 mil habitantes.

A técnica, desenvolvida pela empresa israelense Asterra, utiliza satélite e inteligência artificial para detectar vazamentos em tubulações. Diferente de fotos comuns, o satélite utiliza sensores que emitem micro-ondas que conseguem até três metros de profundidade do solo. O sistema é “treinado” para reconhecer o sinal eletromagnético específico da água tratada, o que permite diferenciar os vazamentos de lençóis freáticos e chuva, por exemplo.

A companhia prevê mapear cerca de 9 mil quilômetros de redes na região metropolitana de São Paulo, com investimento de R$ 5,9 milhões ao longo de dois anos.

UE afrouxa regras de metano

A União Europeia planeja flexibilizar as regras de importação de metano para não correr risco de desabastecimento de gás em meio ao conflito no Golfo Pérsico. As medidas incluem aliviar regras de rastreamento de emissões para os importadores de combustíveis fósseis – deixando de exigir a pegada climática  desde o poço – e suavizar multas por não-conformidade, que poderiam chegar até 20% do faturamento dos importadores. 

A proposta vem na esteira  da pressão de alguns países por  um “freio de emergência” no preço do carbono negociado no mercado regulado da UE. O argumento é que o choque no preço dos combustíveis decorrente da guerra no Irã está aumentando demais o custo das indústrias. 

O regulamento da UE sobre o metano foi adotado em 2024 para limitar as emissões do gás, que tem um efeito de curto prazo 80 vezes maior que o do CO2 no aquecimento global. As regras seriam estendidas aos combustíveis importados em 2027. 

Mudanças no GHG Protocol

O principal padrão de contabilidade de carbono do mundo, o GHG Protocol, anunciou que vai rever as regras do chamado escopo 3, que trata de emissões indiretas da cadeia de valor das empresas. Na maioria dos casos, esses números são baseados em estimativas e motivam as principais críticas ao modelo, que tem adoção quase universal entre as empresas. 

A revisão prevê que as companhias passem a reportar pelo menos 95% das emissões da cadeia de valor – antes, não havia um mínimo – e inclui novas regras de transparência sobre a qualidade dos dados usados. Também estão em discussão ajustes nas categorias de reporte, com a possível criação de uma nova classificação para emissões associadas a atividades como as do setor financeiro, que têm uma pegada de carbono pequena, mas são agentes facilitadores de indústrias muito poluentes.

O trabalho do GHG Protocol está em discussão em grupos técnicos e uma consulta pública deve ser feita em breve.