Verdinhas: Em troca de financiamento a mina, americanos terão direito a terras raras extraídas em Goiás

O financiamento do braço de investimentos no exterior do governo americano para a mineradora Serra Verde tinha condições que ainda não eram de conhecimento público – mas que agora são. No Brasil, os preços do diesel e do querosene preocupam, enquanto os países europeus se preparam para enfrentar de maneira conjunta a alta dos combustíveis.

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Uma mão lava a outra

O empréstimo de US$ 565 milhões que os Estados Unidos concederam à Serra Verde, única mineradora que extrai terras raras em escala comercial no Brasil, veio com uma condição: parte da produção deve ter como destino o país ou “partes alinhadas”.

A cifra era conhecida desde fevereiro, mas esse só foi revelado agora por Conor Coleman, chefe de investimentos da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internatcional dos EUA (DFC, na sigla em inglês), em entrevista ao Financial Times.

É uma tentativa do governo americano de quebrar o domínio chinês sobre esses minerais. Assim, os EUA garantem que empresas americanas tenham acesso aos metais necessários em diversos setores, da tecnologia à defesa, sem depender 100% dos chineses.

Impactos da guerra

Os desdobramentos da guerra deflagrada por Estados Unidos e Israel contra o Irã continuam se espalhando nos mercados de energia globais. No Brasil, o governo federal e 21 Estados chegaram a um acordo para subsidiar  importação de diesel. Na quarta (1) a Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio de venda do querosene de aviação para as distribuidoras.

A União Europeia vai anunciar medidas  para proteger consumidores e empresas dos choques de preços. Segundo o comissário de Energia e Habitação do bloco, Dan Jørgensen, será algo parecido com o pacote de ajuda financeira adotado em 2022 em razão da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Europa mexe no mercado de carbono

A União Europeia anunciou a primeira medida concreta para flexibilizar seu sistema de comércio de emissões (ETS, na sigla em inglês) com o objetivo de minimizar o impacto da crise no Golfo Pérsico sobre o preço do carbono. 

A proposta apresentada nesta quarta-feira (1) pela Comissão Europeia altera a Reserva de Estabilidade do Mercado (MSR, na sigla em inglês), sistema que regula o volume de licenças de emissões em circulação. A ideia é suspender o mecanismo que cancela licenças excedentes, de forma a aumentar sua oferta como um “colchão” para garantir a estabilidade dos preços. 

Em vigor na UE desde 2025, o ETS estabelece um teto de emissões para setores da economia intensivos em carbono, criando um mercado no qual quem polui menos pode vender “créditos” (licenças de emissões) àquelas que excedem seus limites. 

A proposta de mudança precisa ser aprovada pelo Parlamento e pelos Estados-membros. “Diante dos desafios recentes, o EU ETS precisa ser modernizado e tornar-se mais ágil”, diz o comunicado da Comissão Europeia.

Uma revisão mais abrangente do sistema está prevista para ser anunciada em julho deste ano.

Petróleo de menos

Segundo a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, 45 países já confirmaram participação na primeira edição da Conferência para Afastamento dos Combustíveis Fósseis. A ideia foi anunciada na COP30, em Belém, como uma iniciativa paralela do país sul-americano em parceria com a Holanda

Na lista de países divulgada por Vélez aparecem Brasil, Alemanha, Canadá, Espanha, França, Reino Unido e México. Grandes emissores como China, Índia, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos não constam na escalação até o momento. O evento ocorre na cidade colombiana de Santa Marta, entre 24 e 29 de abril.

Petróleo demais

A gigante francesa de energia TotalEnergies afirmou não conseguir formular metas de zerar emissões líquidas em conformidade com os padrões europeus de relatórios financeiros de sustentabilidade.

O motivo seria a “incapacidade de adotar um plano de transição compatível com uma trajetória de aquecimento de 1,5°C até 2050”, o que, segundo a empresa, não é viável com base no consenso científico atual. A informação foi publicada no relatório de sustentabilidade da companhia. 

Na semana passada, o governo Trump devolveu cerca de US$ 1 bilhão que a petroleira havia pagado por licenças para construir projetos de usinas eólicas offshore, com a condição que o capital seja investido em projetos de petróleo e gás natural nos Estados Unidos. 

De acordo com o Financial Times, a companhia francesa dominou o transporte e armazenamento de petróleo no Oriente Médio em março. E aproveitou a desestabilização provocada pelos tempos de guerra para obter um “lucro extraordinário”.