
O ano está acabando, mas as notícias seguem sem recesso. Uma empresa da Vale investiu em energia eólica e a Re.green terminou o desembolso dos recursos que recebeu do Fundo Clima. Em um cenário difícil este ano, o crédito rural busca caminhos: o BNDES fez liberação bilionária para produtores que sofreram com eventos climáticos e a MyCarbon, da Minerva, fez parceria com o Banco do Brasil para financiar práticas sustentáveis na agropecuária.
Leia mais nesta edição de Verdinhas, a seção de notas do Reset.
Vale investe em eólica
A Aliança Energia, joint venture entre a mineradora Vale e a gestora Global Infrastructure Partners (GIP), firmou um acordo para a compra de um complexo eólico da Pontal Energy na Bahia. Segundo fato relevante, o complexo eólico adquirido está em operação e conta com 46 aerogeradores da WEG, cada um com potência de 4,2 megawatts, somando uma capacidade instalada de 193,2 megawatts. O valor da transação não foi divulgado, mas impulsionou as ações da Vale (VALE3), que registraram alta de 3,46% na segunda-feira (22), após o anúncio.
Fundo Clima
A Re.green desembolsou R$ 187 milhões do Fundo Clima. Com isso, se tornou a primeira empresa do setor a fazer o desembolso integral dos recursos que recebeu desse fundo para restauração de florestas nativas, segundo o Valor Econômico.
As garantias para o financiamento foram estruturadas pelos bancos Itaú e Bradesco e os recursos estão atrelados a um projeto de geração de créditos de carbono vendidos à Microsoft. Durante a COP30, em Belém, a startup assinou contrato de financiamento de R$ 250 milhões com o BNDES, também para execução de um contrato com a Microsoft.
Crédito para agro regenerativo
A MyCarbon, subsidiária da Minerva Foods para créditos de carbono, anunciou parceria com o Banco do Brasil e Brandt, de tecnologia agrícola, para fomentar a adoção de práticas agropecuárias regenerativas. Os produtores terão acesso a linhas de crédito para aquisição de bioinsumos, nutrição vegetal, recuperação de pastagens e conservação florestal, dentre outros.
Os recursos serão disponibilizados diretamente pelas agências do Banco do Brasil ou seus correspondentes bancários, após aprovação conjunta pelas três instituições. As empresas não divulgaram o total de recursos disponíveis.
Crédito rural para eventos climáticos
O BNDES aprovou, em dois meses, R$ 5,2 bilhões do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais. Voltado para agricultores que apresentaram perda significativa da safra em função de eventos climáticos e passaram a enfrentar dificuldades para honrar seus compromissos financeiros, o programa iniciou no dia 16 de outubro. O programa atendeu agricultores de 642 municípios em 21 Estados, com 19,1 mil operações e um tíquete médio de R$ 273 mil.
Critério ambiental no crédito rural
O Conselho Monetário Nacional (CMN) postergou para 1 de abril de 2026 a aplicação de critérios ambientais obrigatórios em linhas de crédito rural. A medida, que integraria esse requisito a financiamentos do setor, ganhou novo cronograma diante de pedidos de prorrogação do setor produtivo.
A regra prevê que, para autorizar crédito a juros controlados, as instituições financeiras consultem dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), disponibilizados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), para verificar desmatamentos ocorridos a partir de 31 de julho de 2019. Em caso de desmate, a instituição deve exigir do imóvel a autorização para a supressão.
Mercado de carbono
O governo publicou edital para seleção de membros do Comitê Técnico Consultivo Permanente do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), encarregado de discutir implementação e evolução do mercado de carbono regulado, incluindo métricas, transparência e critérios de integridade. O formulário de inscrições estará disponível até o dia 31 de janeiro.
Mercado de carbono 2
Matias Rebello foi nomeado subsecretário de desenvolvimento econômico Sustentável da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Ele assume o cargo que era de Cristina Reis, que em novembro foi nomeada para liderar a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do mesmo ministério. Matias já foi Coordenador-geral de análise de impacto ambiental no Ministério da Fazenda e analista do BNDES.
Negociação de energia renovável
Um levantamento da BBCE, a Bolsa Brasileira de Energia, que organiza e registra negociações de eletricidade no mercado livre, mostra uma mudança no perfil do trading de energia de fontes renováveis no país. Entre 2020 e 2025 (até outubro), o volume total negociado saltou 160%, passando de 15,9 TWh para 41,3 TWh.
O movimento ganhou força em 2023, quando o mercado atingiu um pico tanto no número de contratos (7.251) quanto no volume negociado (49,6 TWh). Em 2024, houve recuo para 41,1 TWh, em um contexto de aumento do curtailment, os cortes compulsórios na geração por excesso de oferta e limitações do sistema elétrico.
Em 2025, mesmo com menos contratos firmados (5.789 até outubro), o volume negociado voltou a crescer levemente, indicando operações de maior porte: o patamar médio acima de 7 TWh por contrato sinaliza uma migração para negociações em escala maior.