
A semana foi cheia de notícias sobre energia solar: a Petrobras embarcou numa joint venture com a BP e vai operar um parque solar no Ceará. A BloombergNEF diz que as instalações de painéis solares, porém, devem desacelerar pela primeira vez em 2026. Já a Órigo Energia emitiu R$ 215 milhões em debêntures para refinanciar seus parques solares.
Leia mais nesta edição de Verdinhas, a seção de notas do Reset.
Sol na Petrobras
A Petrobras adquiriu uma participação minoritária, de 49,99%, na Lightsource BP, braço de renováveis da petroleira britânica no Brasil, que possui um portfólio de 6 gigawatts de geração solar em desenvolvimento. A compra ocorre dois anos após a criação da diretoria de transição energética e sustentabilidade da empresa.
Por enquanto, há apenas uma planta em operação: a usina solar fotovoltaica de Milagres, no Ceará, com 212 megawatts-pico de capacidade instalada. Toda a energia do projeto está vendida no mercado até 2027.
Puxando o freio
As instalações de energia solar devem desacelerar no próximo ano, segundo relatório da BloombergNEF: o mundo deverá adicionar 649 gigawatts de capacidade de energia solar em 2026, o menor número de novas instalações em sete anos. Em 2025, o mundo adicionou 655 gigawatts em capacidade instalada. O movimento será impulsionado por uma série de mudanças políticas na China e nos EUA.
O relatório também aponta desaceleração em dois dos maiores mercados globais: Espanha e no Brasil. Nesses países, houve uma rápida expansão da capacidade de geração solar, o que levou ao aumento do racionamento de energia (por conta do excesso de oferta de energia, conhecido como curtailment) e à queda dos preços da eletricidade, criando uma incerteza que começa a inibir os investimentos, diz a BloombergNEF.
Refinanciamento
A Órigo Energia, empresa de geração distribuída de energia solar, emitiu R$ 215 milhões em debêntures incentivadas, títulos que contam com incentivo fiscal. Segundo o Neofeed, os papéis foram certificados pela Climate Bond Initiative e têm remuneração de IPCA + 9,24% ao ano e vencimento em março de 2040.
A operação foi coordenada pelo Bradesco BBI e servirá para o refinanciamento de 28 parques solares operacionais. A empresa busca organizar sua estrutura de capital após um período de crescimento acelerado. No balanço de 2024, a Órigo apresentou prejuízo de R$ 349 milhões e queima de caixa.
Dança das cadeiras na BP
A petroleira BP anunciou troca de comando na companhia. O atual CEO, Murray Auchincloss, deixa o cargo e será substituído pela Meg O’Neill, que hoje comanda a australiana Woodside Energy. Até abril, quando a executiva assume oficialmente, a empresa será comandada por um líder interino.
A troca ocorre em um momento em que a BP ainda busca definir sua direção estratégica pós-pandemia, com ações performando abaixo dos pares e um histórico recente de mudanças na liderança.
Critério ambiental no transporte
O governo federal editou uma medida provisória que libera R$ 6 bilhões do BNDES para renovação de frota de caminhões. A medida cria condições diferenciadas (relacionadas a taxas, prazo e carência) para quem trocar veículos antigos (com mais de 20 anos de fabricação) por “modelos mais eficientes e de menor impacto ambiental“.
A linha atende transportadores autônomos, cooperados, empresários individuais e empresas de transporte rodoviário de cargas. O financiamento vale para caminhões novos nacionais credenciados pelo BNDES e, no caso de seminovos, apenas para autônomos e cooperativas. O Ministério da Fazenda será responsável pela gestão dos recursos.
Saneamento básico
A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) concedeu um financiamento de € 200 milhões à Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Os recursos devem ser usados para alinhar a empresa às metas nacionais de universalização do saneamento até 2033.
Com o investimento, a Compesa planeja garantir oferta de água potável para cerca de cinco milhões de habitantes de Pernambuco e melhorar a eficiência operacional e a resiliência hídrica no Estado. Ao todo, 23 subprojetos do programa +Água Pernambuco serão beneficiados.
Orizon Week
O BNDES aprovou R$ 450 milhões de financiamento para a construção de uma planta de purificação de biogás em biometano em Paulínia (SP), uma parceria entre a Edge (empresa da Cosan) e a Orizon. Cerca de 80% serão financiados com recursos do Fundo Clima e 20% por meio da linha Finem.
A planta receberá todo o biogás gerado a partir de resíduos urbanos do aterro sanitário de Paulínia, com capacidade de produzir até 225 mil m3 por dia de gás de origem renovável.
Nesta semana, a Orizon também anunciou a aquisição da Vital Engenharia Ambiental.
Biocombustíveis
Filipe Alvarez, head de sustentabilidade da Azul Linhas Aéreas, é o novo diretor de sustentabilidade da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene, associação fundada em 2007 que se dedica à representação institucional e técnica do setor de biocombustíveis.