Verdinhas: crédito para áereas com SAF; JBS investe em biodiesel e o avanço do etanol de milho

O ano novo começa e os biocombustíveis estão no centro do noticiário: crédito do BNDES para companhias que comprarem combustível sustentável da aviação; novos investimentos da JBS em biodiesel feito com sebo de boi e projeções que indicam o milho esquentando no etanol. 

Leia mais nesta edição de Verdinhas, a seção de notas do Reset

R$ 4 bilhões para áereas – com SAF

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fecharam um acordo nesta segunda-feira (29) para liberação de R$ 4 bilhões do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para financiamento de companhias aéreas.

Entre as contrapartidas para acessar o crédito está o compromisso de aquisição de combustível sustentável de aviação SAF que gere redução de emissão de CO2 em relação à meta legal (hoje fixada em um ponto percentual ao ano até atingir 10%). A taxa de juros do empréstimo pode variar de 6,5% a 7,5% ao ano. 

JBS investe R$ 140 milhões em biodiesel

A Biopower, unidade de biodiesel da JBS, anunciou um investimento de R$ 140 milhões em três usinas, o maior aporte desde 2021. Líder na produção de biodiesel a partir de resíduos orgânicos bovinos e óleo de cozinha usado, a companhia projeta alcançar uma produção recorde de cerca de 650 milhões de litros nas três unidades até o fim de 2025.

Parte dos recursos vai para a tecnologia de esterificação enzimática, um processo que promete ganho de produtividade, maior flexibilidade no uso de matérias-primas e aumento de conversão de subprodutos em biodiesel. 

O avanço do milho

O milho pode representar até 42% da produção brasileira de etanol em 2035, projeta a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que presta serviços ao Ministério de Minas e Energia. Hoje, o milho representa cerca de 20% da produção total. O crescimento é favorecido pelas características do grão, como a possibilidade de mais de uma safra por ano (em geral em rotação com a soja) e sua facilidade de armazenamento, que permite às usinas operarem ao longo de todo o ano. 

Hidrelétricas em risco

Hidrelétricas da Amazônia podem perder até 40% de capacidade de geração até 2040 por conta dos efeitos das mudanças climáticas. A projeção faz parte de um relatório feito pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

O estudo aponta ainda que as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverão ter reduções de até 10%. A Amazônia concentra perdas maiores devido à redução de água nos rios, afetando usinas de grande já instaladas e os empreendimentos planejados para os próximos anos, além de aumentar o custo para o consumidor.