Dia 7: Cooperativismo, seguros e o futuro da alimentação

O Brasil tem cerca de 4.500 cooperativas registradas junto ao Sistema OCB, atuando em 3.500 municípios do país. São quase 26 milhões de cooperados e 600 mil empredos diretos gerados. Desde janeiro, com nova regulamentação, elas podem operar diferentes ramos do seguro privado, um impacto imenso sobre os dois setores, o de seguros e o do cooperativismo.

Mais do que sobre negócios, o resultado desta aliança estratégica pode ser fundamental para o futuro da alimentação e para investimentos com impacto socioambiental. Para Roberto Santos, presidente do conselho diretor da CNseg, esta parceria é central. Este foi o tema debatido no Fórum de Sustentabilidade em Cooperativismo e Seguro, organizado pela CNseg em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), na tarde desta segunda-feira (17) na Casa do Seguro na COP30.

Contexto brasileiro: Pelo menos metade do agronegócio do país está vinculada a alguma cooperativa, que acompanha o produtor no dia a dia – da assistência técnica e fornecimento de insumos à educação financeira e acesso a crédito. Essa capilaridade torna o cooperativismo um elo fundamental para ampliar o seguro rural. “Os eventos climáticos estão cada vez mais frequentes, e precisamos garantir segurança aos produtores, que operam seus negócios à luz do dia”, afirmou Tania Zanella (foto), superintendente da OCB e presidente do Instituto Pensar Agropecuária.

Informação que vira preço: A parceria gera resultado para os dois lados: com dados de agricultura digital, telemetria e drones, cooperativas ajudam seguradoras na precificação. Na outra ponta, seguradoras ajudam cooperativas a investirem em manejo de solo, restauração ambiental e outras práticas de longo prazo, inclusive para emissão de títulos verdes.

Palavra de empoderador

Eventos extremos estão acontecendo semanalmente. Se não agirmos de forma mais ágil, o próximo nos deixará na mesma vulnerabilidade. O mercado segurador acumulou, ao longo de décadas, dados sobre onde estão os maiores riscos e onde o próximo evento pode acontecer. Colocar esses dados à disposição é fundamental para reconstruir melhor

Patrícia Chacón, COO da Porto Seguro

Agenda social

Também na segunda-feira (17) começou na Casa do Seguro um ciclo de quatro oficinas promovidas pelo projeto Negraiar – Potências Negras, que tem como foco formar lideranças femininas negras e indígenas, e pela Federação Habitacional do Sol Nascente (Fehsolna), que promove o empreendedorismo comunitário. O primeiro dia contou com a presença da ministra Edilene Lobo, do TSE. “Não existe justiça climática sem justiça de gênero e de raça”, disse Lobo, uma das idealizadoras do Negraiar.

O tema da primeira oficina foi clima, mulheres negras e indígenas, transformações tecnológicas e seguro.

Seguro como vetor de descarbonização

No período da manhã, os debates foram promovidos pelo empoderador Porto Seguro. Eles destacaram o papel estratégico do setor de seguros na descarbonização da economia e na ampliação da resiliência climática. A seguradora apresentou um estudo de caso sobre a medição de suas emissões seguradas com base no padrão do Partnership for Carbon Accounting Financials (PCAF).

Complexidade do escopo 3: O principal desafio está na mensuração das emissões de escopo 3 (indiretas), mais especificamente da categoria 15, considerada a mais complexa devido ao alcance transversal na cadeia de valor. No caso da Porto, isso envolve emissões seguradas, financiadas e investidas, cada uma com níveis distintos de granularidade e requisitos de dados.

Gestão de dados: A medição não tem como finalidade apenas produzir métricas. O objetivo final é orientar decisões rumo ao net zero na economia real. Os dados permitem identificar riscos, desenvolver soluções e calibrar produtos e políticas internas. Ao quantificar suas emissões, a seguradora consegue antecipar impactos de mudanças regulatórias e compreender como essas transformações podem afetar empresas do portfólio.

Desafio: O cálculo exige grande detalhamento e o envolvimento de diversas áreas da empresa. Butch Bacani, head de seguros da Iniciativa de Finança do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI) alerta para descarbonização de portfólio sem impacto real: “é preciso garantir que a queda de emissões venha da economia real, não só da mudança de composição da carteira”, disse.

Respostas a desastres e transição da economia

Seguro como resposta rápida: Em situações de desastres extremos, o setor de seguros pode atuar na ponta para acelerar o processo de resgate e reconstrução. “Equipes em campo, embarcações, itens básicos e reconstrução rápida fazem diferença”, afirmou Patrícia Chacón, COO da Porto. A outra resposta é a destinação do capital. Para Chacón, a inclusão financeira e o seguro inclusivo são essenciais para que famílias consigam se recuperar de perdas climáticas ou de saúde.

Financiamento da transição avança: O Itaú atingiu em um ano e meio a meta de R$ 400 bilhões em crédito sustentável e ampliou o compromisso para R$ 1 trilhão até 2025. Isso se deve por uma demanda por projetos verdes, segundo Luciana Nicola, diretora de relações institucionais e sustentabilidade do banco. “Ao abrir o crédito sustentável, vimos uma demanda reprimida gigantesca.”

Incentivos funcionam: Taxas e prazos diferenciados têm levado empresas a adotarem práticas de baixo carbono, como renovação de frota e manejo sustentável no agro, segundo Nicola. Outro exemplo é o programa Reverte do banco, em parceria com a Syngenta e TNC para recuperar áreas degradadas. Lançado em 2021,ele já investiu mais de R$ 2 bilhões e recuperou 255 mil hectares, oferecendo carência e taxas diferenciadas.

Imagens do dia


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