
Belém – Progressos estão sendo feitos, mas não grandes o suficiente. Esta é a conclusão de um relatório da ONU sobre o progresso da mitigação das emissões de metano no mundo. Menos falado que o CO2, o CH4 tem potencial de aquecimento climático até 80 vezes maior que o dióxido de carbono CO2 em um prazo de 20 anos. Daí sua importância nas políticas climáticas.
Mantidas as políticas e ações atuais, as emissões globais de metano vão continuar a aumentar até 2030, segundo as projeções de um novo relatório do Programa para Meio Ambiente da ONU (Pnuma) e do Climate and Clean Air Coalition (CCAC), lançado nesta segunda-feira (17) na COP30. Elas serão 5% maiores do que em 2020.
A boa notícia é que esse ritmo de crescimento é 40% mais lento do que as projeções anteriores, devido especialmente a novas regulamentações de gestão de resíduos e ao crescimento mais lento do mercado de gás natural – uma das maiores fontes de emissões de metano é o vazamento em gasodutos.
A má notícia é que o mundo ainda está longe da meta para o fim da década: uma redução de corte de 30% em relação aos níveis de emissão de 2020. O Compromisso Global de Metano (GMP, na sigla em inglês) foi firmado em 2021, durante a COP26, que aconteceu em Glasgow. Ele tem 159 signatários (países mais a União Europeia).
“Esse balanço mostra que o compromisso está funcionando, mas precisamos de um plano de implementação para acelerar [os resultados]. A tecnologia está aí [para cortar as emissões], cabe a nós fazer o trabalho quando voltarmos para casa”, disse um representante da França na reunião ministerial dos membros do GMP, que se reuniram hoje para discutir as lacunas da ambição.
O relatório do Pnuma avaliou também qual seria a redução de emissões se todas as promessas contidas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos Planos de Ação de Metano (MAPs) forem de fato implementadas. Neste caso, as emissões teriam uma redução de 8% até 2030.
“Embora 8% sejam insuficientes para cumprir o objetivo do GMP, essa redução representaria o maior e mais sustentado declínio nas emissões antropogênicas de metano em todo o registro histórico desde a Revolução Industrial”, diz o relatório.
Planos do Brasil
O Brasil é signatário do compromisso e o quinto maior emissor global de metano. A maior parte das emissões do país vem da pecuária, mais especificamente do arroto do boi.
O Brasil tem um dos maiores rebanhos do mundo: são 240 milhões de cabeças de gado. O metano é produzido naturalmente no processo digestivo desses animais, mas várias medidas podem ser tomadas para reduzir o problema – o podcast Carbono Zero, produção original do Reset, explicou algumas delas.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estão criando planos de ação para a redução das emissões do gás, tanto na produção agropecuária quanto na gestão de seus resíduos, que serão lançados em março do próximo ano.
Um terço das soluções para redução do metano nessa área são viáveis do ponto de vista econômico, segundo Adalberto Maluf, secretário nacional de meio ambiente urbano recursos hídricos e qualidade ambiental do MMA. Ele explica que o problema é o acesso das tecnologias pelos mais de 7 milhões de produtores espalhados pelo país. “É difícil chegar a informação.”