Curtas da COP: Recursos para restauração de mangues e do Pantanal; Lula rebate Merz 

Belém – Menos badalados que as florestas tropicais, os mangues são aliados no combate às mudanças climáticas – e uma coalização internacional busca cifras grandes para restaurá-los e preservá-los. Quem também está computando quantias altas é a Coalizão de Financiamento para Restauração e Bioeconomia do Brasil, lançada pelo G20 no ano passado. BNDES e Aegea publicaram um edital para restauração no Pantanal. E o presidente Lula mandou um recado para o chanceler alemão Friedrich Merz.

A vez dos mangues

A coalizão internacional Mangrove Breakthrough anunciou que mobilizou mais de US$ 750 milhões em investimentos para proteção de mangues. A meta é de US$ 4 bilhões até 2030 e é apoiada por 44 governos, cujos países respondem por 40% da cobertura total de manguezais do planeta. 

A iniciativa pretende restaurar 15 milhões de hectares de manguezais para sequestrar mais de 43,5 milhões de toneladas de carbono. Durante a COP30, novas adesões foram anunciadas: Amapá, Bahia e Maranhão. Os governos estaduais de Pará, Sergipe, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro, assim como a cidade de Aracaju, já fazem parte da iniciativa. 

Países como Jamaica, Papua-Nova Guiné, Brasil, Austrália, Costa Rica, Panamá e Paquistão incorporaram metas relacionadas a manguezais em suas NDCs. Cientistas estimam que manguezais removam até quatro vezes mais carbono do que as florestas. “A conservação e a restauração dos manguezais são uma das soluções climáticas mais eficazes e acessíveis que temos”, disse Ignace Beguin Billecocq, diretor-executivo da Mangrove Breakthrough Hub.

Restauração em alta

A Coalizão de Financiamento para Restauração e Bioeconomia do Brasil (BRB FC) confirmou que já mobilizou US$ 5,37 bilhões para projetos de restauração florestal e bioeconomia. É mais da metade da meta de US$ 10 bilhões prevista para 2030 e suficiente para restaurar 3,7 milhões de hectares de florestas em todo o país.

A BRB Finance Coalition reúne 30 instituições dos setores público e privado, apoiando projetos em todos os biomas brasileiros, com foco especial na Amazônia. As metas de longo prazo incluem restaurar e conservar pelo menos cinco milhões de hectares, capturar 1 gigatonelada de CO2 até 2050, e destinar US$ 500 milhões a povos indígenas e comunidades locais.

Parceria pelo Pantanal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto Aegea lançaram, nesta terça-feira, 18, uma nova chamada pública no âmbito da Iniciativa Floresta Viva: Edital Pantanal. O objetivo desta fase da iniciativa é atrair projetos de restauração ecológica e revitalização dos recursos hídricos da Bacia do Alto Paraguai. O recorte territorial para esta chamada abrange áreas localizadas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Serão disponibilizados até R$ 5,9 milhões, sendo metade aportada pelo BNDES e metade pelo Instituto Aegea. A expectativa é apoiar até dois projetos de restauração ecológica – as propostas devem conter uma área mínima de 100 hectares (não necessariamente contínuos).

“O Pantanal é um patrimônio brasileiro que exige ação imediata”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, durante o lançamento.

Bate-boca transatlântico

Pegou mal e continua repercutindo a declaração de Friedrich Merz, chanceler alemão, sobre Belém. Na manhã de terça-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Berlim não oferece 10% da qualidade da capital paraense.

“Ele, na verdade, deveria ter ido em um boteco no Pará, deveria ter dançado no Pará, ele deveria ter provado a culinária do Pará, porque ele ia perceber que Berlim não oferece para ele 10% da qualidade que oferece o estado do Pará e a cidade de Belém. E eu falava toda hora, coma maniçoba”, disse Lula.

Para a BBC Brasil, um porta-voz do governo da Alemanha enviou uma nota afirmando que Merz “lamentou não ter tido tempo durante sua passagem pelo Brasil para conhecer a beleza natural deslumbrante” da região amazônica.

Na Zona Azul nesta terça-feira (18), o ministro do meio ambiente da Alemanha, Carsten Schneider aproveitou para tentar melhorar o clima e agradeceu a todos os “colegas e amigos presentes no grande país que é o Brasil”.