Belém – O que faltou de manifestações populares nas COPs de Sharm-El-Sheik, Dubai e Baku está sendo compensado em Belém. Um dos atos mais esperados ocorreu neste sábado (15): a Marcha pelo Clima.
Enquanto isso, na Zona Azul, o Tesouro lançou uma plataforma com informações dos projetos que receberam investimentos do Eco Invest.
Caminhando sob o sol

A Marcha pelo Clima ocorreu na manhã de sábado, em Belém, debaixo de muito sol. A manifestação percorreu cinco quilômetros pelas ruas da capital paraense, com demandas diversas. Mas duas se destacaram: a redução do uso de combustíveis fósseis e políticas de transição justa. Um dos principais temas foi a solidariedade aos povos indígenas da Amazônia. Os organizadores estimaram 30 mil participantes.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, discursou no início do ato, relembrando as palavras do presidente Lula ao mencionar que o Brasil precisa buscar a transição climática apesar dos desafios e contradições do país.
Pessoas do mundo inteiro participaram da marcha, em especial jovens. O alemão Johann Eickenbrock afirmou que é ótimo estar de volta às ruas em um país que permite protestos e manifestação, já que as três últimas COPs ocorreram em autocracias ou ditaduras.
“Isso é muito importante para mostrar aos políticos e aos lobistas dos combustíveis fósseis que estamos aqui lutando pelo nosso futuro”, disse.
Para o britânico Connah Snape, a hora é de defender o BAM, sigla em inglês para Mecanismo de Ação de Belém, proposta que busca estabelecer um compromisso para incorporar o conceito de transição justa em todas as políticas climáticas e acordos multilaterais.
Teresa Anderson, da organização ActionAid International, pontuou que a transição climática justa precisa colocar os humanos em primeiro lugar e que isso exige um esforço de conscientização. “Trabalhadores, mulheres e comunidades precisam saber que a ação climática irá tornar suas vidas melhores”.
Plataforma do Eco Invest
O Tesouro Nacional lançou neste sábado (15) uma plataforma para ampliar a transparência sobre os investimentos e projetos do Eco Invest, programa do governo federal para atrair recursos privados estrangeiros para financiar a transição verde no país.
Mario Gouvêa, coordenador do Eco Invest no Tesouro Nacional, apresentou a ferramenta e as funcionalidades em um evento na Blue Zone. Até o momento, a plataforma reúne informações de 12 projetos que somam cerca de R$ 12 bilhões em investimentos.
O objetivo é dar visibilidade a informações como localização geográfica, volume de investimentos públicos e privados, estágio de desenvolvimento das iniciativas, setores contemplados e dados sobre uso dos recursos.
“São os números do Eco Invest apresentados de uma forma ainda mais concreta e prática”, disse Gouvêa. Também oferece a classificação por eixo de atuação: bioeconomia, economia circular, infraestrutura verde e adaptação e transição energética.
Dos 12 projetos que já acessam recursos do Eco Invest, cinco são de economia circular, quatro de transição energética, dois de infraestrutura verde e adaptação climática e um de bioeconomia.
Plataformas de investimentos
Foram muitos os lançamentos da Agenda de Ação neste sábado. Com o objetivo de alinhar o apoio e os investimentos globais às prioridades climáticas nacionais, 13 países e uma região anunciaram a criação do Hub de Plataformas de Países.
A ideia é criar um mecanismo de colaboração para apoiar países no desenho e na implementação de estratégias de financiamento climático alinhadas às suas prioridades nacionais.
O anúncio foi feito em um evento organizado pelo Ministério da Fazenda do Brasil e pelo Fundo Verde para o Clima (GCF) neste sábado, na COP30. A iniciativa de articulação do Hub é capitaneada pelo Brasil, que lançou a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP, na sigla em inglês) em outubro de 2024.
Os anúncios de constituição de plataformas foram feitos por Camboja, Colômbia, República Dominicana, Índia, Cazaquistão, Lesoto, Mongólia, Nigéria, Omã, Panamá, Ruanda, África do Sul e Togo. Uma plataforma regional para reunir os países membros da Comissão do Clima dos Estados Insulares Africanos também foi anunciada.
Dinheiro de filantropia no clima
A filantropia no Brasil destinou R$ 400 milhões à agenda climática em 2024, segundo dados inéditos do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE). Isso representa, no entanto, apenas 6% do total investido pelas organizações associadas ao GIFE. Em 2023, os cerca de 170 associados estimaram mobilizar aproximadamente R$ 5,8 bilhões.
A maior parte das organizações filantrópicas atuantes na agenda climática concentra esforços em “educação ambiental e mobilização comunitária” (44% das instituições). Em seguida, aparecem as medidas voltadas à “adaptação e resiliência aos eventos climáticos extremos” (32%) e à “justiça climática e reparação” (32%).
A análise dos biomas com atuação filantrópica mostra que a Amazônia concentra o maior número de ações (78% das organizações), seguida pela Mata Atlântica (68%) e o Cerrado (62%).
Entre as organizações que declaram atuar na pauta, dois terços o fazem por meio da “incorporação do tema de mudanças climáticas de modo transversal a outras áreas de atuação” (66% delas). Também se destacam as estratégias de “produção e disseminação de conhecimento” (55%) e “desenvolvimento de iniciativas voltadas às questões climáticas diretamente nos territórios” (45%).