Merz e Lula

Belém – Friedrich Merz causou na COP30. Depois de virar notícia por não anunciar o valor do tão aguardado aporte alemão ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, o TFFF, o chanceler alemão resolveu polemizar ao falar sobre Belém. O vice-presidente Geraldo Alckmin lançou na COP30 um plano de descarbonização da indústria. E o Greenpeace analisou com lupa as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do G20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo.

Falou Merz

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que jornalistas de seu país que o acompanharam à COP30, em Belém, “ficaram felizes” de deixar “aquele lugar” e voltar para casa. A fala viralizou nas redes sociais, gerando críticas de que Merz estaria desdenhando da capital paraense.

“Vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Na semana passada, perguntei a jornalistas que estiveram comigo no Brasil: quem de vocês gostaria de ficar aqui? Ninguém levantou a mão. Todos ficaram felizes por terem voltado para a Alemanha na noite de sexta para sábado, principalmente por termos saído daquele lugar onde estávamos”.

No X, antigo Twitter, o governador do Pará, Helder Barbalho, rebateu que a declaração revela mais sobre quem fala. “O Pará abriu as portas e mostrou a força de um povo acolhedor. Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia”, disse.

“Cada um dá o que tem, e, infelizmente, o chanceler alemão destila preconceito e arrogância na sua fala, bem diferente do seu povo, que demonstra nas ruas de Belém o encantamento pela nossa cidade!”, escreveu o prefeito de Belém, Igor Normando.

Alckmin em Belém

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, desembarcou em Belém para participar de uma série de eventos durante a COP30. Ele abriu a sessão ministerial de alto nível, com ministros do mundo todo, no início da manhã desta segunda-feira (17). Alckmin também acumula o cargo de Ministro do Desenvolvimento, Comércio e Indústria.

Ele lançou a consulta pública da Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (Endi) e participou de uma reunião com Carsten Schneider, ministro do Meio Ambiente da Alemanha. 

A ideia é ter diretrizes para instrumentos de financiamento, incentivar novas tecnologias, eficiência energética e integrar mais a política industrial, energética e climática. A estratégia possui quatro pilares, com 19 medidas e 124 ações definidas.

Ao fim do dia, Alckmin participou do lançamento do programa Coopera + Amazônia, projeto que vai fortalecer 50 cooperativas extrativistas da Amazônia Legal. A iniciativa prevê R$ 107 milhões em investimentos ao longo de quatro anos, com foco na inovação e expansão das cadeias do babaçu, açaí, cupuaçu e castanha-do-Brasil.

Ambição em falta

Um relatório do Greenpeace Internacional publicado nesta segunda-feira (17) alerta sobre a insuficiência da ambição climática das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dos países do G20 para 2035.

O relatório “Lacuna de Ambição Climática para 2035” destaca que os países do G20 são responsáveis por 80% das emissões globais de gases do efeito estufa. Apesar disso, suas metas climáticas representam um corte de 23% a 29% nas emissões – mas o necessário seria uma redução global de 60%.

O relatório do Greenpeace também avaliou como as NDCs do G20 tratam de combustíveis fósseis e energia. Apesar de o grupo englobar os maiores produtores e consumidores mundiais de combustíveis fósseis, nenhum de seus planos para 2035 são críveis no que diz respeito à eliminação gradual desses combustíveis, diz a entidade.