
Belém – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quarta-feira (12) R$ 912 milhões em operações de crédito do Fundo Clima. Todas são voltadas a empresas privadas que atuam com restauração de áreas degradadas e implantação de sistemas agroflorestais.
O maior contrato é com a Re.green, no valor de R$ 250 milhões. O Timberland Investment Group (TIG), braço de investimentos florestais do BTG, fechou acordo de R$ 200 milhões, assim como o Pátria Investimentos.
Foram anunciados também R$ 151 milhões para Tree+, do grupo Lorinvest, holding de investimentos da família Lorentzen, e R$110 milhões para o Grupo Ibema, responsável pela primeira concessão florestal no bioma Mata Atlântica.
De acordo com o Nabil Kadri, responsável pela área de meio ambiente do BNDES, os contratos têm perspectiva de gerar R$ 3,1 bilhões em investimentos totais, considerando as contrapartidas previstas pela iniciativa privada.
“Serão mais de 104 mil hectares restaurados. São compromissos diretamente ligados ao Arco da Restauração, no nível nacional, e ao que a ONU chama de Década da Restauração, no nível internacional”, disse ele durante o anúncio na Zona Azul da COP30.
Projetos
O contrato do TIG se dará por meio da Camapuã Agropecuária e tem como objetivo conservar e restaurar 49,4 mil hectares no Mato Grosso do Sul. O empreendimento prevê a geração de 36 milhões de créditos de carbono e tem parceria com a Universidade Federal de Viçosa e a Conservação Internacional.
A Tree+, que é controlada pelos fundadores da antiga Aracruz Celulose, usará os recursos para recuperar 15 mil hectares de Mata Atlântica. Já o Pátria Investimentos usará o montante para implementar sistemas agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas de Bahia, Espírito Santo e São Paulo. A ideia é integrar cacau, café e abacate com espécies nativas da Mata Atlântica, com foco em regiões de baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), como o Vale do Ribeira.
O Grupo Ibema teve R$ 110 milhões aprovados para restaurar a Floresta Nacional de Irati, no Paraná. É a primeira concessão florestal federal do bioma Mata Atlântica estruturada pelo BNDES. O projeto, que conta com a Suzano entre os acionistas, inclui remoção gradual de espécies exóticas, plantio de nativas e ações de capacitação e ecoturismo.
Maré boa
O mês de novembro tem sido de boas notícias para a Re.green. No início do mês, a empresa venceu o Prêmio Earthshot, concedido pelo Príncipe William a iniciativas em prol da sustentabilidade. A startup já tinha um primeiro contrato com o BNDES, que destinou R$ 187 milhões para restauração de 15 mil hectares de florestas tropicais.
Agora o total sobe para R$ 437 milhões, com o objetivo de restaurar 34 mil hectares nos biomas Amazônia e Mata Atlântica.
O próximo passo é conseguir uma carta-fiança que sirva de garantia para o desembolso do dinheiro. Em maio, a Re.green recebeu R$ 80 milhões do Fundo Clima após conseguir carta-fiança do Bradesco para realizar a operação.
“Esta segunda tratativa com o BNDES foi um pouco mais fácil por já conhecermos o caminho e termos um entendimento mútuo. Espero que com a carta-fiança seja a mesma coisa. Em 2024, estávamos batendo na porta [dos bancos] pela primeira vez. E temos concorrentes que já conseguiram também. O processo será menos duro que foi no passado”, diz Thiago Piccolo, diretor-executivo e cofundador da Re.green.
A área-âncora do empreendimento é a fazenda Ipê, de 3,9 mil hectares, em Paragominas, no Pará. As atividades de plantio, iniciadas em janeiro do ano passado, têm a conclusão prevista para maio do ano que vem. Com a progressiva inclusão de áreas adicionais, a previsão é que o plantio nos 19 mil hectares seja concluído em 2028.
A partir de dezembro de 2030, estima-se que o projeto remova mais de 1,27 milhão de toneladas de CO2-equivalente por ano em emissões de gases do efeito estufa.