Bancos de desenvolvimento europeus e BID aportam R$ 10,6 bilhões no Fundo Clima

Belém – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a captação de R$ 10,6 bilhões para o Fundo Clima, mecanismo do governo brasileiro para financiar projetos de descarbonização e de adaptação às mudanças climáticas. O fundo é administrado pelo BNDES e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Instituições financeiras de desenvolvimento europeias vão aportar R$ 7,89 bilhões para financiar projetos de transição climática. Ele é liderado por três bancos: o alemão KfW, o italiano CDP e a agência de desenvolvimento francesa, a AFD.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assinou uma carta de intenções para viabilizar outro empréstimo, no valor de R$ 2,67 bilhões (US$ 500 milhões). A proposta ainda passará por revisões técnicas.

“As captações sinalizam que estamos no caminho certo rumo a uma economia de baixo carbono”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em evento realizado na COP30. Ele destacou que a operação demonstra o fortalecimento da cooperação entre Brasil e União Europeia. 

A captação é significativa se considerarmos o orçamento do fundo nos últimos cinco anos. Somando ambos os anúncios, o Fundo Clima irá ganhar um incremento de 29%. Entre 2020 e 2025, considerando valores pagos e autorizados pelo governo federal, o veículo de financiamento conta com R$ 36,3 bilhões, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), do Ministério do Planejamento, compilados pelo Instituto Talanoa.

O diretor de planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, explicou que quem assume o risco cambial não é o banco, mas sim o Tesouro. “É importante para a atratividade de investimentos estrangeiros ao Fundo. O Tesouro toma recursos internacionais e repassa ao BNDES em reais. Ou seja, o tomador vai ter uma taxa fixa de juros em reais mais baixa”, disse.

Cooperação

Mercadante pontuou que o Fundo Clima é o principal financiador do BNDES Florestas, programa para desenvolver o setor de restauração e bioeconomia florestal no país. 

Dois exemplos recentes são os desembolsos do Fundo Clima para as startups Mombak e Re.green, que receberam R$ 80 milhões cada, com garantia de cartas-fiança emitidas pelo Santander e Bradesco, respectivamente.

O BNDES também firmou dois acordos diretos com o KfW, somando R$ 1,7 bilhão (280 milhões de euros), para financiar projetos de mobilidade urbana e de energia renovável. Criado em 1948, o KfW é o banco de desenvolvimento da Alemanha. 

“O Brasil tem uma longa história de, por um lado, proteger o clima e apoiar a sustentabilidade e, por outro, desenvolver sua indústria e sua economia”, disse Christiane Laibach, executiva do conselho do banco alemão responsável por investimentos internacionais. 

Já a AFD e a CDP têm histórico de atuação em mobilidade urbana, saneamento e infraestrutura sustentável.

“Hoje, a Europa mantém-se firme na sua abordagem para alcançar o desenvolvimento sustentável. E penso que esta visão partilhada é o que nos impulsiona para um mundo que, digamos, já não é regido pelo multilateralismo”, disse Rémy Rioux, diretor executivo da AFD.