Vista de área da Mata Atlântica no Rio de Janeiro

O grupo sueco Inter Ikea, dono da maior varejista de móveis do mundo, vai financiar a restauração de 4 mil hectares de pastagens degradadas na Mata Atlântica. As atividades serão conduzidas pelo Timberland Investment Group, braço florestal do banco BTG Pactual.

O valor do investimento não foi revelado. Ele faz parte do compromisso global da Ikea de investir € 100 milhões em remoção e armazenamento de carbono.

As áreas recuperadas equivalem a cerca de 4 mil campos de futebol e ficam nos Estados de Paraná e Santa Catarina. As terras são adquiridas pelo TIG. A Mata Atlântica é o mais devastado dos biomas brasileiros. Somente 13% de sua área original está preservada.

“A madeira é o principal material usado nos produtos da Ikea e, por isso, temos uma grande responsabilidade de garantir que só utilizamos madeira de florestas administradas de forma responsável”, diz ao Reset Ulf Johansson, diretor global de matérias-primas do grupo Inter Ikea.

Em parte das áreas recuperadas serão plantados pinus, árvores de valor comercial que interessam à empresa. A maioria da madeira consumida pela empresa, porém, vai seguir vindo da Europa: hoje, essa porcentagem é de 86%.

Os objetivos também incluem a restauração ecológica de parte da paisagem.

Sem carbono

O carbono sequestrado pelas árvores plantadas não será utilizado pela gigante sueca, que faturou € 45 bilhões (US$ 47 bilhões) no ano passado. A companhia tem a meta de cortar pela metade suas emissões de gases efeito estufa até 2030 e quer atingir o net zero na metade do século – o ano base do cálculo é 2016.

“Nosso modelo não envolve créditos de carbono. Queremos mostrar como investir em restauração florestal para remover o carbono da atmosfera e recuperar a biodiversidade de forma escalável”, afirma Johanson.

Ele diz que esta é apenas a segunda iniciativa do tipo da Ikea. A outra foi iniciada há 25 anos, na Malásia, e já está concluída. “Recuperamos 20 mil hectares. O projeto foi acompanhado o tempo todo por uma universidade sueca, então temos muitos dados e aprendizados. E era um projeto puramente de biodiversidade, não pensávamos em clima. O dilema não existia na época”, diz Johanson.

O negócio com a Ikea não faz parte da meta definida pelo TIG de mobilizar US$ 1 bilhão em recursos para a recuperação de áreas degradadas na América Latina.

Na semana passada, a empresa anunciou um aporte da Gen Zero, gestora focada em transição climática da Temasek, holding do governo de Singapura. Com o aporte, a captação do TIG para essa iniciativa chegou a US$ 672 milhões.

Mark Wishnie, líder da área de sustentabilidade do TIG, afirma que não há planos de acessar recursos do programa Eco Invest dedicados à recuperação de pastos degradados.

O BTG Pactual foi um dos contemplados no leilão do programa do governo federal. O banco ficou com a maior porção de recursos destinada a uma instituição privada – R$ 2,1 bilhões – que vão alavancar outros R$ 2,8 bi para recuperar 164 mil hectares.