
A mineradora de terras raras Terra Brasil Minerals assinou um acordo de intenções para vender uma participação minoritária da empresa para a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC), braço de investimentos do governo dos Estados Unidos no exterior, apurou o Reset.
Se efetivado, esse será o segundo investimento dos Estados Unidos em minas de terras raras no Brasil neste ano, em meio a uma corrida do país para enfrentar o domínio chinês.
No começo do ano, a mesma DFC concedeu um financiamento de US$ 565 milhões para a Serra Verde, a única mina de terras raras em operação comercial no Brasil. Em troca, os americanos têm direito ao produto extraído em Goiás. Em abril, a companhia foi comprada pela americana USA Rare Earth (USAR).
O que foi firmada agora é uma comfort letter, semelhante a uma carta de intenção de compra. A Terra Brasil busca investidores para captar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para construir duas plantas-piloto: uma de terras raras e outra de fertilizantes em Minas Gerais.
Além da DFC, há conversas também com Emirados Árabes, Japão e Austrália.
Hoje, a mineradora tem capital inteiramente nacional, com Eduardo Duarte (atual CEO) e sua família como majoritários.
A expectativa é que o negócio seja fechado em até 60 dias.
Procurada, a Terra Brasil Minerals não comentou. A DFC disse que não comenta projetos “que podem ou não ser apoiados devido a questões comerciais confidenciais.”
Corrida global
A negociação ocorre em meio a uma corrida global por terras raras. Não há carros elétricos, placas solares, turbinas eólicas, mísseis ou chips sem elas. A transição energética e a corrida pela supremacia na inteligência artificial dependem desses minerais. Hoje, a China domina toda a cadeia produtiva.
Com a segunda maior reserva mundial de terras raras, o Brasil corre para aprovar um marco legal que garanta sua soberania nacional e segurança econômica. A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei para regular o setor, em proposta que agora será analisada pelo Senado.
Terras raras e fertilizantes
A Terra Brasil planeja iniciar a construção das plantas-piloto em uma área de 200 hectares (cada hectare tem o tamanho de um campo de futebol). O plano é começar a produção piloto no próximo ano e atingir a escala comercial até 2030.
A empresa começou pesquisas minerárias há 18 anos, na região do Alto Paranaíba, entre as cidades Patos de Minas e Presidente Olegário, em Minas Gerais. O foco inicial era explorar fertilizantes, como fosfato e potássio, a partir de um minério chamado kamafugito.
Cinco anos depois, reorientou o negócio para terras raras após descobrir o potencial duplo da jazida. A estimativa é que a mina possui 3 milhões de toneladas de terras raras concentradas em 2 bilhões de toneladas de kamafugito.
As mineradoras juniores costumam levantar recursos com a abertura de capital em bolsas de valores, principalmente no Canadá e na Austrália, para financiar sondagens e pesquisas. A Terra Brasil bancou essa etapa com capital próprio dos acionistas.
Até o momento, a empresa investiu cerca de R$ 200 milhões em pesquisas de viabilidade e desenvolvimento de tecnologias para o processamento dos minerais.
Diferentemente do modelo de argila iônica, utilizado pela Meteoric e pela Viridis, o processo com o kamafugito utiliza britagem e separação magnética a seco. Além de terras raras, o mineral contém fosfato, potássio, titânio, magnésio e cálcio.





